terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vida e obra de Diego Velázquez (1599 - 1660).

Existência tranqüila, talento nato


A  maior   marca  deixada  pelo  artista  espanhol  Velázquez  foi  seu  dom  em  propiciar dignidade e decência  a  todos  os  personagens que retratava,   fossem eles reis,  mulheres, crianças ou mesmo anões e bufões.

Diego Rodríguez de Silva y Velázquez era filho de nobres e nasceu em junho de  1599 em Sevilha, na época a cidade mais rica da Espanha devido ao seu movimentado porto. Incentivado pelo pai, estudou nas melhores escolas  e, já  aos  12  anos, iniciava os estudos em pintura, primeiro com Francesco de Herrera, conhecido como "el Viejo", e depois com Francisco Pacheco, que viria a ser seu sogro.

Precoce ao demonstrar talento para as artes, Velázquez mudou-se para Madri ainda muito jovem e, aos 24 anos, já assumia o cargo de pintor oficial da corte do rei Filipe IV. Ocuparia a função até o fim da vida, o que lhe daria condições de viajar e trabalhar com tranqüilidade.

Em  1628  tornou-se  amigo  do  pintor holandês Rubens,  que visitava  Madri.     Juntos, trocaram idéias sobre trabalhos do Renascimento italiano e conversaram  sobre mitologia, o  que  aumentou  o  desejo  de  Velázquez  de  conhecer  a   Itália, terra  de  pintores que exerceram grande influência sobre ele, como Caravaggio, Ticiano, Tintoretto e Veronese.

Filipe IV lhe deu permissão para viajar e, em 1629, Velázquez foi  à  Itália,  passando  por cidades como Gênova e Veneza até chegar a Roma, onde ficou por cerca de um ano. Seguiu depois para Nápoles, na época uma possessão espanhola. Especula-se que  o  artista tenha pintado muitas obras nesse período, mas apenas duas chegaram aos dias de hoje: "A Túnica de José" e "A Forja de Vulcano".  Um  Velázquez  ainda  mais  influenciado  pelos renascentistas e pela arte clássica retornou a Madri em 1631, iniciando sua fase  de  maior produtividade.

Homem  de  vida  tranqüila e comedida, Velázquez pintava com calma e lentidão, já que, por ser membro  da  corte real,  era  obrigado também a cumprir funções burocráticas. De temperamento  suave, levou  uma  vida  sem  grandes reviravoltas e de  produção artística relativamente  pequena:  menos de 150  telas suas chegaram  aos nossos dias.  Calcula-se, porém, que  tenha  pintado  não  mais que 200 quadros ao longo da vida, dado seu  ritmo compassado.  Morreu em julho  de  1660, em Madri,  aos  61  anos de  idade. Exatamente uma semana depois morria Juana, a filha de seu mestre Pacheco, com quem se  casara  aos 19 anos.

Curiosidades

•    "Seguidores"
"As Meninas", o trabalho mais conhecido  de  Velázquez,  teve 44 versões feitas por Pablo Picasso. Já o pintor Goya,   também  espanhol, homenageou Velázquez  colocando-se  na obra "A Família de Carlos IV" (1800), e na mesma posição: também à esquerda, pintando um quadro. O  pintor  Francis Bacon,  na década de 1950,  fez  várias  versões  a  partir do quadro "Retrato do Papa Inocêncio X".
•    Romance na Itália
Apesar da vida recatada e tranqüila de Velázquez,   um documento  descoberto  em   1983 revelou que uma viúva chamada Marta teria dado à luz um filho ilegítimo do artista: uma criança de colo chamada Antonio é citada no ano de 1652  (quando  Velázquez  tinha  53 anos).
•    Relações cruzadas
Francisco Pacheco, mestre de Velázquez durante seis anos e pai de sua esposa,   é  também autor do tratado Arte de la Pintura, escrito em 1649.   Velázquez foi  seu  aprendiz dos 11 aos 17 anos, e casou-se  com  Juana  aos  19 (ela tinha 17).  Tiveram  duas filhas.  À época do casamento, o mestre escreveu:  "Casei-o  com  minha  filha  movido  por  sua virtude e integridade, seus dotes e pelas promessas de um grande e inato talento".
•    Honrarias
Em 1652 Velázquez foi nomeado para o mais honroso dos cargos a que um pintor poderia chegar: "Aposentador Mayor", ou tesoureiro do rei. Porém, seu maior título alcançado foi o de Cavaleiro da Ordem de Santiago, em 1659, pouco antes de morrer.  O  rei  Filipe IV teve que obter uma permissão especial do papa Alexandre VII para conceder a honraria ao artista.    No  quadro   "As Meninas",  Velázquez  ostenta    no   peito  a   cruz   vermelha característica da ordem.

Contexto histórico
Antecipando tendências

Velázquez nasce no último ano do século 16, período em que a Espanha havia  se tornado a nação mais rica da Europa graças às suas colônias no Novo Mundo.  O  barroco  era    o estilo predominante, com seus contrastes de luzes e sombras, cores escuras e carregadas. Temas  religiosos  ainda  eram  os  mais representados  e  Velázquez,  apesar  de   ter feito quadros com essa temática,  ficaria  mais  famoso  por  sua magnífica habilidade em pintar retratos.

Antecipando  técnicas da Arte Moderna   que  seriam  desenvolvidas  por  impressionistas como Manet, Renoir e Monet, o pintor sevilhano era um mestre em representar  cenas  e figuras que, vistas de perto, não diziam muito, por causa de suas pinceladas  livres  e cruas, transparentes e borradas.  Porém, quando olhadas  de uma certa  distância,   seus  detalhes ganham uma dimensão e beleza impressionantes.  O "todo" só é apreendido quando visto de longe, evidenciando o talento e habilidade do pintor.

É possível  afirmar,  nclusive,  que sua maneira  realista  de  representação constituía,    na verdade, um "falso realismo": baseava-se somente na luz refletida  pelas  pessoas e objetos, quadros feitos sem esboços, sem linhas e marcações previamente desenhadas e  com  leves toques de pincel.   Daí a  dificuldade  em  "entendê-las"  olhando  muito  de  perto.     Os impressionistas, já no século 19, ficariam conhecidos exatamente por isso:  reproduziam as paisagens de acordo  com  a  luz  que  incidia  sobre elas, fazendo uso de pinceladas soltas, pouco precisas.

Diego Velázquez trabalhou para o rei Filipe IV por 37 anos. Ao tornar-se pintor oficial da corte, o rei tinha apenas 18 anos.   Durante as viagens do artista à Itália,   a  família   real não   permitia  que   nenhum   outro   pintor   fizesse  retratos   seus:   esperavam  até que Velázquez retornasse.   À época de sua morte,   o   rei   lhe   proporcionou  um  magnífico funeral.   E   o império espanhol, em 1660, já dava indícios de sua decadência: era o início do fim de seu período áureo.

Principais obras

1. "As Meninas" (1656) - Também chamado de "As Damas de Honra", é considerado seu trabalho mais equilibrado e inovador.
2. "A Rendição de Breda" ou "As Lanças" (1634-35) - De proporções perfeitas, está entre seus melhores trabalhos.
3. "Retrato do Papa Inocêncio X" (1650) - A posição do papa foi baseada num retrato do papa Paulo III feito por Ticiano.
4. "Vênus ao Espelho" (cerca de 1648) - Único nu remanescente de Velázquez (é sabido que ele pintou outros).
5. "As Fiandeiras" (1657) - A tapeçaria ao fundo ilustra uma disputa entre a deusa Atenas e Aracne, transformada em aranha após perder.
 

Fonte:  
http://mestres.folha.com.br/pintores/07/

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