Mostrando postagens com marcador Falando de arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Falando de arte. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de junho de 2014

Vocês já ouviram falar em Land Art?

A Land Art, também conhecida como Earth Art ou Earthwork é o tipo de arte em que se faz intervenções na natureza, utilizando os próprios recursos dela como folhas, galhos, pedras e areia. 

Os artistas desejam criar sem fabricar e a maioria garante que após fotografado, eles devolvem os materiais para seu lugar de origem. 

O estilo se inspirou fortemente nos "Crop Circles", aqueles desenhos que possivelmente os ets fizeram em milharais e nas Linhas de Nazca.

Se quiserem se aprofundar nesse tipo de arte, indico alguns artistas: Richard Shilling, Jim Denevan, Vicenzo Sponga.

Abaixo, algumas imagens de trabalhos desse gênero. 














segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A arte de ver.

Queridos amigos,

Hoje, gostaria de falar com vocês sobre a arte de ver. Um assunto fascinante, pois cada um  tem sua maneira particular de ver o mundo e os artistas têm ainda, sua maneira pessoal de representar aquilo que estão vendo.
Imprescindível para qualquer criação artística, devemos antes de mais nada, saber ver.  Ver com os olhos físicos e com os olhos da mente criativa.

Abaixo, estou transcrevendo um texto da coleção: Curso de Desenho e Pintura da Globo, volume: A arte de ver I, que trata da importância do esboço no aperfeiçoamento dessa arte de ver. Espero que seja um texto bem útil a todos vocês.

Com o carinho de sempre,
Lilian

-o-o-o-o-o-


A importância do esboço.

Praticando um pouco todos os dias, você logo supera a fase dos rabiscos e começa a desenhar de verdade.  Quanto mais treinar no seu bloco de esboços (que pode ser até um caderno escolar de desenho), melhores serão os resultados.
Tenha sempre à mão o bloco. Você verá que muitos motivos (temas) vão despertar seu interesse. Rabisque-os à vontade, pois o bloco serve justamente para executar a técnica. O ideal é praticar pelo menos 15 minutos por dia.
Novas experiências.
O bloco é perfeito para desenvolver e testar novas idéias, ou diferentes formas de compor e colorir seus desenhos. Não tenha medo de experimentar: o bloco foi feito para isso.  Algumas de suas idéias talvez não resultem em grande coisa: outras contudo poderão desdobrar-se em novas possibilidades e ser exploradas.

Apontamentos.
O bloco também é ótimo para anotar e rascunhar tudo o que lhe pareça interessante. Com ele por perto você estará sempre preparado para uma ocasião em que a luz esteja propícia, os objetos na posião exata e as cores na combinação adequada.
Algumas anotações rabiscadas rapidamente poderão ajudá-lo, mais tarde, a transformar seu esboço em um desenho acabado.
Experimente esboçar um objeto ou cena em quatro ocasiões diferentes - no mesmo dia, ou ao longo da semana. Ao comparar os esboços, você verá que os últimos serão bem mais soltos e desinibidos.
Todos os exercícios de composição, traço e cor poderão ser utilizados, no futuro, como pontos de referência ou inspiração para novos desenhos e pinturas.

O "medo do branco".
O bloco é o meio ideal para ajudá-lo a desenvolver sua autoconfiança. Até artistas experientes sentem-se, às vezes, intimidados diante de uma folha de papel em branco ou de uma tela virgem.   O bloco oferece a vocë a possibilidade de treinar em papel barato.
É o espaço adequado para desenvolver a criatividade e um estilo pessoal. À medida que você for trabalhando com maior velocidade, a rigidez dos primeiros traços irá desaparecendo.
Cada vez mais a forma de expressar tudo o que vê e sente se tornará um ato intuitivo. Assim, o bloco de esboço vale por um diário que registra seus progressos e conta sua trajetória como artista plástico.
O bloco mais comum para esboços é grampeado na parte superior e contém 20 ou 50 folhas picotadas. Ele pode ser encontrado em três tamanhos: 65 x 47, 47 x 32 e  32 x 23 cm.  Os tipos de papel mais utilizados são: sulfite, jornal e canson.

Material  básico:
Saia sempre com seu bloco de esboços. Há blocos de vários tipos e tamanhos, como já mencionamos, mas os melhores são os espirais, com capa de papelão. O mais prático é o conhecido caderno de desenho escolar, que cabe em qualquer lugar.  Nunca saia também sem um lápis HB, um 2B e uma caneta hidrográfica. Use borracha o mínimo possível.  Lembre-se que você só está fazendo um esboço, não um quadro acabado.
Utilize apenas um lado da folha de papel, para evitar que seus desenhos borrem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Olhar de artista é diferente.




Os artistas realmente vêem o mundo de um modo especial. O neurocientista americano Robert Solso, da Universidade de Nevada, anunciou ter descoberto a diferença entre o cérebro de um pintor como Picasso e o de um mortal comum.                                            

Ele pediu a três voluntários para desenhar rostos a partir de fotografias. Um deles era o pintor inglês Humprey Ocean, famoso por seus retratos, e os outros dois eram estudantes que nunca tiveram nada a ver com artes plásticas.                                                              

Com um aparelho de ressonância magnética, Solso monitorou a atividade cerebral dos voluntários durante a tarefa. Os dois não-artistas utilizaram intensamente a parte de trás do cérebro, que lida com as imagens. No caso do pintor, a atividade se concentrou na região frontal direita, a sede do raciocínio.                                                                          

Enquanto um rabiscador ingênuo copia o que vê, o verdadeiro artista pensa o retrato a partir dos conhecimentos armazenados em vários lugares do cérebro, comentou Solso.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Art Nouveau.

Outros Nomes

Arte Floreal, Arte Nova, Jugendstil, Modernista, Modern Style, Style Coup de Fouet, Style Liberty, Style Nouille

Definição

Estilo artístico que se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) na Europa e nos Estados Unidos, espalhando-se para o resto do mundo, e que interessa mais de perto às Artes Aplicadas: arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, mobiliário e outras. 

O termo tem origem na galeria parisiense L'Art Nouveau, aberta em 1895 pelo comerciante de arte e colecionador Siegfried Bing. O projeto de redecoração da casa de Bing por arquitetos e designers modernos é apresentado na Exposição Universal de Paris de 1900, Art Nouveau Bing, conferindo visibilidade e reconhecimento internacional ao movimento. A designação modern style, amplamente utilizada na França, reflete as raízes inglesas do novo estilo ornamental. 

O movimento social e estético inglês Arts and Crafts, liderado por William Morris (1834 - 1896), está nas origens do art nouveau ao atenuar as fronteiras entre belas-artes e artesanato pela valorização dos ofícios e trabalhos manuais, e pela recuperação do ideal de produção coletiva, segundo o modelo das guildas medievais. 

O art nouveau dialoga mais decididamente com a produção industrial em série. Os novos materiais do mundo moderno são amplamente utilizados (o ferro, o vidro e o cimento), assim como são valorizadas a lógica e a racionalidade das ciências e da engenharia. Nesse sentido, o estilo acompanha de perto os rastros da industrialização e o fortalecimento da burguesia.

O art nouveau se insere no coração da sociedade moderna, reagindo ao historicismo da Arte Acadêmica do século XIX e ao sentimentalismo e expressões líricas dos românticos, e visa adaptar-se à vida cotidiana, às mudanças sociais e ao ritmo acelerado da vida moderna. Mas sua adesão à lógica industrial e à sociedade de massas se dá pela subversão de certos princípios básicos à produção em série, que tende aos materiais industrializáveis e ao acabamento menos sofisticado. A "arte nova" revaloriza a beleza, colocando-a ao alcance de todos, pela articulação estreita entre arte e indústria.

A fonte de inspiração primeira dos artistas é a natureza, as linhas sinuosas e assimétricas das flores e animais. O movimento da linha assume o primeiro plano dos trabalhos, ditando os contornos das formas e o sentido da construção. Os arabescos e as curvas, complementados pelos tons frios, invadem as ilustrações, o mundo da moda, as fachadas e os interiores, atestam o balaústre da escada da Casa Solvay, 1894/1899, em Bruxelas, do arquiteto e projetista belga Victor Horta (1861 - 1947); as cerâmicas e os objetos de vidro do artesão e designer francês Emile Gallé (1846 - 1904); a fachada do Ateliê Elvira, 1898, em Munique, do alemão August Endell (1871 - 1925); os interiores do norte-americano Louis Comfort Tiffany (1848 - 1933); as pinturas, os vitrais e painéis do holandês Jan Toorop (1858 - 1928); o Castel Beránger e estações de metrô, de Hector Guimard (1867 - 1942), em Paris; a Casa Milá, 1905/1910, e o Parque Güell, de Antoni Gaudí (1852 - 1926), em Barcelona; a Villa d'Uccle, 1896, do arquiteto e projetista belga Henry van de Velde (1863 - 1957). 

Um traço destacado de Van de Velde e de outros arquitetos ligados ao movimento é a idéia modernista da unidade dos projetos, que articula o interno e o externo, a função e a forma, a utilidade e o ornamento. Tanto na sua residência - a Villa d'Uccle - quanto em outros ambientes que constrói - The Havana Company Cigar Store ou a Haby Babershop, 1900, ambas em Berlim -, Van de Velde mobiliza pintores, escultores, decoradores e outros profissionais, que trabalham de modo integrado na construção dos espaços, da estrutura do edifício aos detalhes do acabamento.

O art nouveau é um estilo eminentemente internacional, com denominações variadas nos diferentes países. Na Alemanha, é chamado jugendstil, em referência à  revista Die Jugend, 1896; na Itália, stile liberty; na Espanha, modernista; na Áustria, sezessionstil. Os três maiores expoentes austríacos do art nouveau, integrantes da Secessão vienense, são o pintor Gustav Klimt (1862 - 1918), o arquiteto Joseph Olbrich (1867 - 1908) - responsável, entre outros, pelo Palácio da Secessão, 1898, em Viena - e o arquiteto e designer Josef Hoffmann (1870 - 1956), autor dos átrios da Casa Moser, 1901/1903, da Casa Koller, 1902, e do Palácio da Secessão. Os trabalhos de Klimt são emblemáticos do modo como a pintura se associa diretamente à decoração e à ilustração no art nouveau. Suas figuras femininas, de tom alegórico e forte sensualidade - por exemplo, o retrato de corpo inteiro de Emilie Flöge, 1902, Judite I, 1901, e As Três Idades da Mulher, 1908 -, têm grande impacto em pintores vienenses como Oskar Kokoschka (1886 - 1980) e Egon Schiele (1890 - 1918).

Ainda no terreno da pintura, é possível lembrar o nome do suíço Ferdinand Hodler (1853 - 1918) e suas obras de expressão simbolismo como O Desapontado, 1890; os pintores integrantes do grupo belga Les Vingt (Les XX) - James Ensor (1860 - 1949), Toorop e Van de Velde -; e o inglês Aubrey Vincent Beardsley (1872 - 1898), ilustrador, entre outros, da versão inglesa de Salomé, de Oscar Wilde (1854 - 1900).

No Brasil, observam-se leituras e apropriações de aspectos do estilo art nouveau na arquitetura e na pintura decorativa. Em sintonia com o boom da borracha, 1850/1910, as cidades de Belém e Manaus assistem à incorporação de elementos do art nouveau, seja na residência de Antonio Faciola (decorada com peças de Gallé e outros artesãos franceses) seja naquela construída por Victor Maria da Silva, ambas em Belém. Menos que um art nouveau típico, o estilo na região encontra-se mesclado às representações da natureza e do homem amazônicos, e aos grafismos da arte marajoara, como indicam as peças decorativas de Theodoro Braga (1872 - 1953) e os trabalhos do português Correia Dias (1893 - 1935). A casa de Braga em São Paulo, 1937, exemplifica as confluências entre o art nouveau e os motivos marajoaras.

A Vila Penteado, prédio atualmente pertencente à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP -, na rua Maranhão, é considerada um dos mais representativos exemplares de art nouveau em São Paulo. Projetada pelo arquiteto Carlos Ekman (1866 - 1940), em 1902, a residência segue o padrão menos rebuscado do estilo sezession austríaco. Na fachada externa, nota-se o discreto emprego de arabescos e formas florais. No monumental hall de entrada, pinturas de Carlo de Servi (1871 - 1947), Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939) e ornamentação de Paciulli. Victor Dubugras (1868 - 1933) é outro arquiteto notável pelas construções art nouveau que projeta na cidade, por exemplo, a casa da rua Marquês de Itu, número 80, ou a residência do doutor Horácio Sabino na avenida Paulista esquina com a rua Augusta, ou ainda a estação de ferro de Mairinque, São Paulo, 1906.

No modernismo de 1922, os nomes dos artistas decoradores John Graz (1891 - 1980) e dos irmãos Regina Graz (1897 - 1973) e Antonio Gomide (1895 - 1967), todos alunos de Ferdinand Hodler, evidenciam influências do art nouveau no Brasil. No campo das artes gráficas, alguns trabalhos de Di Cavalcanti (1897-1976) - Projeto para Cartaz (Carnaval), s.d. e de J. Carlos (1884 - 1950) - por exemplo, as aquarelas Um Suicídio, 1914, e Garota na Onda, s.d. - se beneficiam do vocabulário formal da "arte nova".

Exemplos de Art Nouveau:

 
 
 
 
 


Art Déco.

Outros Nomes

Arts Décoratifs; Style 1925


Definição
O termo art déco, de origem francesa (abreviação de arts décoratifs), refere-se a um estilo decorativo que se afirma nas artes plásticas, artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e arquitetura no entreguerras europeu. 

O marco em que o "estilo anos 20" passa a ser pensado e nomeado é a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925. O art déco liga-se na origem ao art nouveau. 

Derivado da tradição de arte aplicada que remete à Inglaterra e ao Arts and Crafts Movement, o art nouveau explora as linhas sinuosas e assimétricas tendo como motivos fundamentais as formas vegetais e os ornamentos florais. 

O padrão decorativo art déco segue outra direção: predominam as linhas retas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato. Entre os motivos mais explorados estão os animais e as formas femininas. Nesse sentido, é possível afirmar que o estilo "clean e puro" art déco dirige-se ao moderno e às vanguardas do começo do século XX, beneficiando-se de suas contribuições. 

O cubismo, a abstração geométrica, o construtivismo e o futurismo deixam suas marcas na variada produção inscrita sob o "estilo 1925". O vocabulário moderno e modernista combina-se nos objetos e construções art déco com contribuições das artes hindu, asteca, egípcia e oriental, com inspiração no balé russo de Diaguilev, no Esprit Nouveau de Le Courbusier (1887 - 1965) e com a reafirmação do "bom gosto" estabelecido pela Companhia de Arte Francesa (1918).

O art déco apresenta-se de início como um estilo luxuoso, destinado à burguesia enriquecida do pós-guerra, empregando materiais caros como jade, laca e marfim. É o que ocorre, nas confecções do estilista e decorador Paul Poiret, nos vestidos "abstratos" de Sonia Delaunay (1885 - 1979), nos vasos de René Lalique (1860 - 1945), nas padronagens de Erté. A partir de 1934, ano de realização da exposição Art Déco no Metropolitan Museum de Nova York, o estilo passa a dialogar mais diretamente com a produção industrial e com os materiais e formas passíveis de serem reproduzidos em massa. 

O barateamento da produção leva à popularização do estilo que invade a vida cotidiana: os cartazes e a publicidade, os objetos de uso doméstico, as jóias e bijuterias, a moda, o mobiliário etc. Se as fortes afinidades entre arte e indústria e entre arte e artesanato, remetem às experiências imediatamente anteriores da Bauhaus, a ênfase primeira na individualidade e no artesanato refinado coloca o art déco nas antípodas do ideal estético e político do programa da escola de Gropius, que se orienta no sentido da formação de novas gerações de artistas de acordo com um ideal de sociedade civilizada e democrática.

A despeito de seu enraizamento francês, os motivos e padrões art déco se expandem rapidamente por toda a Europa e pelos Estados Unidos, impregnando o music hall, o cinema de Hollywood (onde Erté vai trabalhar em 1925), a arquitetura (por exemplo, a cúpula do edifício Chrysler, em Nova York, 1928), a moda, os bibelôs, as jóias de fantasia etc. Assim, falar em declínio do art déco na segunda metade da década de 1930 não deve levar a pensar no esquecimento da fórmula e das sugestões daí provenientes, que são reaproveitadas em decorações de interiores, em fachadas de construções, na publicidade etc. 

No Brasil, a obra de Victor Brecheret (1894 - 1955) pode ser pensada com base nas influências que sofre do art déco, em termos de estilização elegante com que trabalha formas femininas (Daisy, 1921) e figuras de animais (Luta da Onça, 1947/1948). Um rápido passeio pela cidade do Rio de Janeiro pode ser tomado como exemplo da difusão do art déco, impresso em vitrais, escadarias, decoração de calçamentos e letreiros. O interior da sorveteria Cavé, no centro da cidade, o Teatro Carlos Gomes, na praça Tiradentes, a Central do Brasil, entre muitos outros, revelam as marcas e motivos art déco.




Fonte:
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=352


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A arte hoje.

Olá amigos,
Para vocês, um texto muito bom, escrito por Manoela Bowles e que trata dos aspectos da arte hoje. Espero que seja um texto útil, que faça pensar e talvez entender um pouco mais sobre os caminhos seguidos pelos artistas da atualidade.
-o-o-o-o-o-o-o-


  
Ao olharmos para as obras de arte que estão expostas nas grandes bienais de hoje, não conseguimos deixar de pensar que a arte como a conhecíamos deixou de existir. Vemos mesas e cadeiras, lâmpadas e objetos de uso comum revestidos com significados que trazem questionamentos sobre a arte e a vida.

Depois de tantas experimentações que a arte passou nos últimos tempos em busca de sua definição, temos que nos perguntar em que situação se encontra agora. Para muitos, a História da Arte chegou ao fim na pós-modernidade, pois não é mais possível dar um sentido único para ela. Essa falta de parâmetros levou ao esvaziamento do seu significado.

Mas então, como podem existir grandes feiras por todo o mundo?  Depois de tantas experimentações e questionamentos, conseguimos encontrar uma definição que dê conta da produção artística atual?

A pós-modernidade trouxe o pluralismo de estilos, reedições, citações conceituais, a explosão de meios para a arte e principalmente a aproximação com a vida comum. Mas a arte muda constantemente, de acordo com o contexto social em que se manifesta. Para saber aonde a arte está indo, temos que escrever sua história atual. Temos que encontrar uma teoria para a arte de hoje.

Não devemos nos perguntar o que é arte, mas como ela funciona hoje. Pois a arte sempre serviu como uma forma de nos compreender no mundo. A função do historiador da arte é descobrir essa função no momento para saber para onde ela está nos levando.

Hoje a arte busca uma aproximação com as pessoas. Ela sugere uma interação entre sujeito e objeto de uma forma física. A arte deve ser usada. Exemplos desse tipo estão nas galerias mais contemporâneas, que expõem cabines telefônicas, escorregas ou bolas com rostos de governantes, etc. Buscando sempre aproximar as pessoas de si, através do jogo, do humor ou da sedução, qualquer coisa que realize uma relação física entre sujeito e objeto. Assim, sua função é participativa.

O que isso quer dizer sobre a atualidade? Estamos cada vez mais nos fechando em casulos cibernéticos que nos propõem o mundo sem sair de casa? E as outras pessoas? Existem apenas virtualmente? A arte de hoje nos incita a sair para as ruas e nos relacionar, com coisas, com objetos, com tudo. A mensagem é: a realidade está ai, do lado de fora, saia e aproveite a vida.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Elementos básicos da linguagem visual.

Olá amigos,
Estou colocando algumas informações importantes para o nosso melhor entendimento sobre a linguagem visual.
Essas informações foram encontradas numa apostila entitulada "Arte", no site www.scribd.com

-o-o-o-o-o-



Linguagem visual é todo tipo de comunicação que se dá através de imagens e símbolos. Os elementos visuais constituem a substância básica daquilo que vemos, são a matéria-prima de toda informação visual. Entretanto, esses elementos isolados não representam nada, não tem significados preestabelecidos, nada definem antes de entrarem num contexto formal.
De acordo com o estudo de vários autores, podem-se identificar como principais elementos visuais: o ponto, a linha, a forma, o plano, a textura, e a cor.


1. PONTO 

DEFINIÇÕES
  • O ponto é o elemento básico da geometria, através do qual se originam todas as   outras formas geométricas. 
  • Ponto é o lugar onde duas linhas se cruzam. 
  • Ponto é um sinal sem dimensões, deixado na superfície. 
  • Ponto é a unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima(DONDIS, 1997). 
  • Considera-se como ponto qualquer elemento que funcione como forte centro de atração visual dentro de um esquema estrutural, seja numa composição ou num objeto(FORTES, 2001).  

FORMAS DE REPRESENTAÇÃO DO PONTO

O ponto pode ser representado graficamente de duas maneiras: pela interseção de duas linhas ou por um simples toque na superfície com um instrumento apropriado. É identificado através de uma letra maiúscula do nosso alfabeto.  


UTILIZAÇÃO DO PONTO NAS ARTES VISUAIS

Qualquer ponto tem grande poder de atração visual, quando juntos eles são capazes de dirigir o olhar do espectador. Essa capacidade de conduzir o olhar é intensificada pela maior proximidade dos pontos, ou seja, quanto mais próximos uns dos outros estiverem os pontos, mais rápido será o movimento visual.
Nas artes visuais um único ponto não é capaz de construir uma imagem. Porém com um conjunto de pontos podemos obter imagens visuais casuais ou organizadas.
Em grande número e justapostos os pontos criam a ilusão de tom ou de cor.  
Observe: 
Georges Seurat.


2. LINHA

DEFINIÇÕES
  • Linha é a trajetória definida pelo movimento de um ponto no espaço;
  • Linha é um conjunto de pontos que se sucedem uns aos outros, numa seqüência infinita; 
  • Linha é o elemento visual que mostra direcionamentos, delimita e insinua formas, cria texturas, carrega em si a idéia de movimento.

CLASSIFICAÇÃO

Alguns autores classificam as linhas simplesmente como físicas, geométricas e geométricas gráficas. 
  • Físicas – são aquelas que podem ser enxergadas pelo homem no meio ambiente. Ex.: fios de lã, barbantes, rachaduras de pisos, fios elétricos etc. 
  • Geométricas – apresentam comprimento ilimitado não possuindo altura e espessura, sendo apresentadas através da imaginação de cada um de nós quando observamos a natureza. 
  • Geométricas gráficas – são linhas desenhadas numa superfície, sendo concretizadas quando colocamos a ponta de qualquer material gráfico sobre uma superfície e o movemos seguindo uma direção.
Em artes Visuais, estudaremos as linhas geométricas gráficas que são classificadas quanto ao formato em SIMPLES e COMPLEXAS. As linhas simples podem ser retas ou curvas. Observe:

UTILIZAÇÃO DAS LINHAS NAS ARTES VISUAIS

As linhas nascem do poder de abstração da mente humana, uma vez que não há linhas corpóreas no espaço natural. Elas só se tornam fato físico quando são representadas pela mão humana.
Independente de onde seja utilizada, a linha é o instrumento fundamental da prévisualização, ou seja, ela é o meio de apresentar em forma palpável, concreta, aquilo que só existe na imaginação.
Nas artes visuais, a linha é o elemento essencial do desenho, seja ele feito a mão livre ou por intermédio de instrumentos.
Segundo ARNHEIM (1994) as linhas apresentam-se basicamente de 3 modos diferentes nas artes visuais: 
 Linhas objeto - visualizadas como objetos visuais independentes. A própria linha é uma imagem.
  • Linhas de contorno - obtidas quando envolvem uma área qualquer criando um objeto visual.
  • Linhas hachuradas – são formadas por grupo composto de linhas muito próximas criando um padrão global simples, os quais se combinam para formar uma superfície coerente. Hachurar é usar um grupo de linhas para sombrear ou insinuar texturas. Quanto mais próximas as linhas, mais densa a hachura e mais escuras as sombras. Quanto mais distantes as linhas, menos densa a hachura e menos escuras as sombras. As linhas da hachura podem ter comprimentos e formas diferentes.

SIGNIFICADOS EXPRESSOS PELAS LINHAS

A linha pode assumir formas muito diversas para expressar uma grande variedade de estados de espírito, uma vez que reflete a intenção do artista, seus sentimentos e emoções e principalmente sua visão de mundo.
Quando predomina uma direção, a linha possui uma tensão que pode ser associada a determinado sentimento ou sensação. Exemplos: 


3. A FORMA

Forma é o aspecto exterior dos objetos reais, imaginários ou representados. A linha descreve uma forma, ou seja, uma linha que se fecha dá origem a uma forma. Na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma.

FORMAS BÁSICAS

Existem três formas básicas: o quadrado, o círculo e o triângulo equilátero. Cada uma das formas básicas tem suas características específicas, e a cada uma se atribui uma grande quantidade de significados, alguns por associação, outros por vinculação arbitrária, e outros, ainda, através de nossas próprias percepções psicológicas e fisiológicas. Ao quadrado se associam enfado, honestidade, retidão e esmero; ao triângulo ação, conflito, tensão; ao círculo,
infinitude, calidez, proteção.
Todas as formas básicas são figuras planas e simples, fundamentais, que podem ser descritas e construídas verbalmente ou visualmente.

 4. PLANO E SUPERFÍCIE

O plano é uma superfície sem ondulações, de extensão infinita, ou seja, uma superfície plana que se estende infinitamente em todas as direções possíveis. Temos a noção de um plano quando imaginamos uma superfície plana ilimitada e sem espessura.
Pense numa folha de papel prolongada infinitamente em todas as direções, desprezando a sua espessura.
A representação do plano será feita através de uma figura que sugere a idéia de uma parte dele. Também nesse caso, fica por nossa conta imaginar que essa superfície se estende indefinidamente em todas as direções possíveis.  Os planos são denominados por letras minúsculas do alfabeto grego: alfa (α), beta (β), gama (γ), delta (δ) etc.
 Superfície é a extensão que delimita no espaço um corpo considerável, segundo a largura e a altura, sem levar em conta a profundidade. É o suporte onde o artista criará sua composição.

5. TEXTURA

Textura, nas artes plásticas, é o elemento visual que expressa a qualidade tátil das superfícies dos objetos (DONDIS, 1997). A palavra textura tem origem no ato de tecer. Existem várias classificações para a textura, segundo diferentes autores que tratam do assunto. Para começar, ela pode ser classificada como natural – quando encontrada na natureza – ou artificial - quando produzida pelo ser humano (simula texturas naturais ou cria novas texturas). A textura natural de alguns animais, como o camaleão, pode ser modificada quando ele simula outra cor de pele. O homem também simula texturas naturais em suas vestimentas (como é o caso dos soldados camuflados). As texturas podem também ser divididas em visuais (óticas) e táteis.
A textura visual ou ótica possui apenas qualidades óticas. Ela simula as texturas táteis. Ex.: Uma pintura que crie o efeito da maciez de uma pétala de rosa, ou o pêlo do cachorrinho. A textura tátil possui tanto qualidades visuais quanto táteis. Existe textura tátil em todas as superfícies e esta nós podemos realmente sentir através do toque ou do contato com nossa pele.
Quanto à forma de apresentação a textura pode ser geométrica ou orgânica. Nas artes gráficas pode ser reproduzida através de desenhos, pinturas, impressões, fotografia, etc. Podemos representar as texturas em forma de trama de sinais, pontos, traços, manchas com os quais se realizam as mais variadas atividades gráficas e artísticas. Exemplos:

A textura é tão importante quanto a forma, tamanho, cor, etc. Existem várias técnicas para se criar texturas nas artes plásticas. O pintor, por exemplo, utiliza uma infinidade de técnicas para reproduzir ou criar a ilusão de textura tátil da vida real em suas obras. 
Entre as técnicas mais conhecidas estão a tinta diluída e o empasto (uso livre de grossas camadas de tinta para dar efeito de relevo).  Outra técnica conhecida é a frotagem. A palavra “Frottage” é de origem francesa - frotter, que significa “esfregar”. Consiste em colocar uma folha de papel sobre uma superfície áspera, que contém alguma textura, e esfregá-la, pressionando-a com um bastão de giz de cera, por exemplo, para que a textura apareça na folha. No campo da arte, essa técnica foi usada pela a primeira vez pelo o pintor, desenhista, escultor e escritor alemão Max Ernest (1891 – 1976), um dos fundadores do movimento “Dada” e posteriormente um dos grandes nomes do Surrealismo.
Os abstracionistas utilizam uma grande variedade de técnicas como a colagem com pedaços de jornais e materiais “expressivos” como madeira, papelão, barbante, areia, pedaços de pano etc.

Os artistas recorrem às texturas para:
  • Traduzir visivelmente o sentido de volume e os efeitos de superfície;
  • Representar graficamente o claro e o escuro, a luz e a sombra.
Na escultura os artistas utilizam texturas diferentes conforme os padrões estéticos do período ou movimento artístico a que pertencem. No Renascimento observamos texturas lisas e suaves, enquanto que no Impressionismo percebemos superfícies inacabadas como nas obras de Rodin.
Além das artes visuais a textura ocorre também em diferentes espaços da vida. No cotidiano nós a observamos nos utensílios domésticos, nas roupas, nos calçados, nos papéis, nos vidros, na decoração de interiores, etc. A tecnologia favoreceu a criação de uma variedade muito grande de texturas. A tinta de parede, por exemplo, é encontrada em diversos tipos e para as mais diversas aplicações. Essas por si só já permitem efeitos de texturização.

 
6. A COR

DEFINIÇÃO

A cor é o elemento visual caracterizado pela sensação provocada pela luz sobre o órgão da visão, isto é, sobre nossos olhos. O pigmento é o que dá cor a tudo o que é material. 
Ao falarmos de cores, temos duas linhas de pensamento distintas: a Cor-Luz e a Cor-Pigmento.
 A Cor-Luz pode ser observada através dos raios luminosos. Cor-luz é a própria luz que pode se decompor em muitas cores. A luz branca contém todas as cores.
No caso da Cor-Pigmento a luz é que, refletida pelo material, faz com que o olho humano perceba esse estímulo como cor. Os pigmentos podem ser divididos em dois grupos diferentes: os transparentes e os opacos.
As cores pigmento transparentes são mais utilizadas nas artes gráficas, nas impressoras coloridas entre outros meios de produção.
As cores pigmento opacas são geralmente utilizadas nas artes plásticas, são mais populares, portanto, são mais conhecidas pelos estudantes da escola básica.
Os dois extremos da classificação das cores são: o branco, ausência total de cor, ou seja, luz pura; e o preto, ausência total de luz, o que faz com que não se reflita nenhuma cor.
Essas duas "cores" portanto não são exatamente cores, mas características da luz, que convencionamos chamar de cor.
 
NOMENCLATURA DAS CORES
 
Tanto a cor-luz quanto a cor-pigmento, seja ela transparente ou opaca se divide em:
  • Cores primárias - aquelas consideradas puras, que não se fragmentam.
  • Cores secundárias - obtidas através da mistura em partes iguais de duas cores primárias. 
  • Cores terciárias - são obtidas pela mistura de uma primária com uma secundária oua partir das primárias em proporções desiguais. 
  • Cores neutras - o preto e o branco, embora sejam consideradas como ausência e totalidade das cores-luz respectivamente, no entendimento das cores-pigmento são também conhecidas, juntamente com o cinza, como cores neutras. Não aparecem no círculo cromático.

sábado, 6 de agosto de 2011

Pirografia.


A palavra pirografia é de origem grega e significa “escrita à fogo”. Cogita-se que a pirografia foi a primeira manifestação artística humana, já que a humanidade descobriu o fogo há mais ou menos dez mil anos. É uma forma de arte primitiva, ancestral, nos remete aos antepassados, existindo como um inconsciente...

Ninguém fica indiferente à pirografia. A história da pirografia é tão antiga, que a palavra antropologia pode ser utilizada. Está diretamente ligada à história do fogo. O fogo fascina a humanidade há milhares de anos. Foi onde a humanidade encontrou o poder para moldar a natureza à sua vontade. O fogo foi utilizado como proteção, na caça, como aquecimento. 

Quando aprendeu a cozinhar, o homem pré-histórico se tornou gourmet. Além de tudo isso, o homem pré-histórico ainda desenhou nas paredas das cavernas com carvão. (Arte Rupestre)
Este tipo de desenho foi a primeira manifestação artística da humanidade e pode ser chamada de pirografia.

Mas a grande revolução desta arte ocorreu na Idade dos Metais, quando o ser humano dominou a criação de ferramentas metálicas. E foi só na Idade Média que esta arte floresceu.
Na Europa, por volta de 1600, nas tabernas, homens colocavam fogo em lareiras e utilizavam uma ferramenta para acomodar as brasas e a lenha. Essa ferramenta aquecia e em brasa era usada para decorar as mesas e paredes de madeira da taberna e por ser chamada de “poker”, deu origem ao termo “poker art” ou “poker work”.

O primeiro trabalho impresso sobre pirografia data de 1751, publicado na Inglaterra. Atualmente há em museus da Europa, aparelhos utilizados no Século XIX, onde principalmente mulheres aqueciam vários “pokers” com carvão, para realizar trabalhos mais detalhados e finos. Até esta altura, os “pokers” eram de ferro, era necessário envolvê-los em panos ou papéis para segurá-los. Depois de algum tempo, apareceram “pokers” com cabos de madeira, que rapidamente invadiram todos os utensílios que aquecem, como ferros de passar, ferros de soldar, etc...

No final de 1800, o benzeno era o combustível predominante. Um sistema de pirografia foi criado com uma garrafa e duas mangueiras de borracha. Através do bombeamento de um atomizador (como os utilizados por perfumes) o artista conseguia manter a caneta aquecida mais tempo. Nessa época, também chamada de Era Vitoriana, a pirografia floresceu na Europa e nos Estados Unidos, tornando-se uma arte popular. Alguns dos trabalhos do inventor deste sistema de pirografia ainda podem ser vistos no Smithsonian Institute, em Washington.

Finalmente o advento da eletricidade veio facilitar muito o trabalho do artista pirogravurador. Os primeiros ferros de soldar elétricos foram utilizados com sucesso para a pirografia. Mas, em 1916, houve a primeira patente para o “Hot Point Pen” (ou caneta de ponta quente). O fio que levava energia para a caneta passava por um reostato, que controlava a intensidade da corrente, dando ao artista a variação de temperatura, tão necessária para os efeitos de luz e sombras... Teve início a pirografia realista. Trabalhos impressionantes foram criados, podendo ser vistos ainda hoje.

A pirografia também fez um enorme sucesso na decoração de cabaças. Neste quesito, há uma ligação subliminar entre a pirografia e a decoração de objetos, principalmente cabaças... Afinal, essa arte é praticada há milênios.

Abaixo, alguns exemplos de trabalhos do artista:   Juan Carlos Gonzalez





Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirografia

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O valor da arte contemporânea.



Este excelente texto é de:

Paula Mastroberti

Li, em 1996, um livro cujo teor reacionário, apesar de generalizar e salientar apenas os aspectos negativos da arte pós-moderna, idealizando as expressões artísticas que lhe precedem, ainda assim oferece uma pertinente e corajosa reflexão sobre os bastidores do meio artístico em suas diferentes instâncias. Cultura ou Lixo (1996, Civilização Brasileira, 256 págs.), de James Gardner, com tradução de Fausto Wolff.

Afinal, ele desnuda muito da arbitrariedade desmedida, da hipocrisia e do jogo de vaidades que regem este mundinho maluco do qual muitos artistas são, consciente ou inconscientemente, cúmplices.

As denúncias de James Gardner sobre a mediocridade mal-disfarçada que há por trás de certas expressões artísticas dos últimos vinte anos, apesar de amargas, foram úteis na compreensão de como qualquer juízo de valor, desde que Foucault e sua tribo gritaram aos quatro ventos o fim das ideologias totalitárias, havia se tornado precário, dependente de critérios e interesses subjetivos. O que, no caso da arte, significa dizer: depende da maneira como ela é experienciada, do grau de seriedade e de responsabilidade com todos os envolvidos se posicionam, para que uma obra de arte mereça ser denominada como tal.

Não que o objeto-arte não tenha valor em si mesmo. Eu acredito que sim, que ele pode conter e agregar sobre si informações importantes, cuja leitura sempre rica apenas variará conforme a época ou do contexto em que for analisado. Algumas obras (e, por favor, quero incluir qualquer forma de expressão humana, literatura, música, etc.) certamente preencherão requisitos para uma leitura mais perene e
universal do que outras.

Paradoxalmente, parece que toda vez que insistimos em determinar regras para estes valores, ou toda vez que um artista pensa ter inventado uma fórmula que conduza uma obra a este patamar, a coisa não funciona e se banaliza.

Há sempre certa polêmica envolvida no que se refere ao valor da arte – principalmente da arte contemporânea. Tanto quanto a polêmica (esta mais danada) sobre o que ela significa e qual a sua função. Há sempre tentativas absurdas de reduzir a arte a um mero objeto utilitário e, como tal, sujeito às regras capitalistas que abarcam qualquer produto criado para ser consumido. Ou ainda, tentativas no sentido contrário: a verdadeira arte não pode ser útil e não se consome – ponto final. Fica a questão: A arte tem valor de consumo? Ou não?

Ante esta provocação difícil, cuja resposta requereria que citássemos uma penca de filósofos dedicados ao assunto, eu gostaria de começar pelo princípio do fenômeno e sua fonte, ou seja, pelo próprio homem, que é quem a produz e para a qual ela se volta. Pois a diferença está aí. Na fonte. Na verdade, o modo como se consome, circula ou se gerencia o objeto-arte pouco tem a ver com o sentido de valorizá-lo enquanto arte-autêntica (notem que eu liguei por um hífen as duas palavras). A autenticidade já nasce agregada ao próprio processo criativo do artista. Ou, como pretendo dizer: ela já nasce arte-autêntica – ou embuste, trapaça, picaretagem, chamem como quiserem – lá no estúdio, em seu protótipo, antes de concluída.

Se o artista realmente comprometido com seu labor falha, ou é bem sucedido, ele o saberá imediatamente – esta que é a verdade. O resto, marchands, curadores, críticos (e os há?), vão contribuir apenas com um glacê que pode encobrir um bolo ruim ou muito gostoso.

O mercado de arte tem suas modas, é bom que se diga. Quando eu comecei, a pintura estava em alta, principalmente a pintura-pastiche, ou neo-expressionista, como a dos alemães. Hoje a moda é outra, a pintura aparentemente caiu, outros materiais e linguagens subiram, mas nada disso determina o que é bom ou ruim de fato. Tanto em termos de investimento quanto de valor estético ou poético.

Quem segue modismos geralmente é quem não entende nada, e obedece direitinho às orientações do arquiteto (bem comissionado por um galerista) ao decorar a sua fantástica cobertura com peças de última linha pra exibir aos amigos (e quanto mais esfíngicas, maior o impacto). O que não quer dizer que ele acabe comprando uma obra ruim. Quem sabe?

Artistas iniciantes sempre são uma promessa. Que pode não se cumprir. Aposta quem tem olho profético. Ou quem tem menos dinheiro. Artistas já consagrados – bem, aí já temos outra história. Que merece ser contada.

Entende-se por Artistas consagrados aqueles que já têm por aí uns dez anos pra mais de carreira, os que foram aprovados após cumprirem o percurso necessário para sua promoção profissional, a saber: um bom número de mostras individuais em galerias de destaque, seleção em salões institucionais, prêmios de importância reconhecida, alguma bienal (qualquer uma, desde que tenha esta palavra escrita no currículo), quem sabe uma pós-graduação em alguma área de poética visual (com bolsa-residência no exterior), acervo em galerias e museus, catálogo com textos em jargão acadêmico intraduzível etc.

Então o investidor vê todo aquele dossiê e pensa: estou seguro. O marchand garante. O curador abaliza. Até o jornal, que geralmente não dá mais que uma notinha sobre artes plásticas, já fez o cara merecer pelo menos meia-página no caderno de cultura. Ele compra.
Fez uma boa compra? Quem sabe?

Artistas consagrados são certamente seguros, pra quem vê a arte como um objeto de investimento capital. Artistas consagrados têm a garantia da consolidação de suas carreiras. É provável que continuem a aumentar seus currículos, a produzir até o fim de suas vidas coisas boas e às vezes nem tanto (Artistas consagrados também falham, também sucumbem às modas, patinando num mesmo estilo, o que pode desvalorizá-lo no futuro). Entretanto, o sistema assegura, através da palavra de curadores, críticos e marchands, e o investidor arrisca. Simples assim. Como a bolsa de valores, como uma aplicação financeira. E agora chegamos a outra ponta.
A questão é: quando desejamos um objeto de arte, o desejamos com que intenção?
Notaram que eu usei dois vocábulos para definir o interessado em arte? Consumidor e investidor. A princípio, quem compra arte é um ou outro, ou os dois juntos. Há, entretanto, uma diferença sutil entre eles: o consumidor aparentemente compra para decorar a sala de estar; o investidor aparentemente inicia uma coleção para ganhar dinheiro. Nenhum dos dois está errado. Porque a arte não pode ser destinada a enfeitar o espaço residencial ou a ante-sala de um
consultório, afinal de contas? E porque não haveria de ser um bom investimento?
O mercado de arte é um dos mais valorizados no mundo, cujas cifras podem atingir bilhões.

Ambos, consumidor e investidor, compram arte com intenções diversas, porém ambos podem ter ainda uma segunda, mas não menos importante intenção, a do colecionador – o que compra arte pela fruição estética. E é aí que a cobra fuma. Voltando ao nosso princípio:  qualquer obra de arte será tanto mais autêntica e pontual se tiver aplicado sobre si conceitos tanto mais profundos e universais acerca da visão de mundo de quem a cria, e se exprimir estes conceitos através de uma linguagem tanto mais bem elaborada, clara e precisa.
Independente de modismos, do que quer que digam os críticos e os curadores, o sistema e o mercado, esta obra já nasceu carregada de auto-estima pela própria mão do artista profundamente comprometido com as questões do fazer artístico e, se não cair no ostracismo destruidor de um depósito qualquer, é bem possível que brilhe independente de quaisquer previsões ou circunstâncias.

Tudo muito bonito. Mas estamos falando de sistemas, e os sistemas, em nome da consagração de certos padrões, são obrigados a rejeitar outros. Em geral, tudo o que se produz visando cumprir padrões, tende ao superficial e imediato. O colecionador de arte, se está em busca da arte-autêntica ou de uma arte que preencha quesitos mais exigentes, terá, portanto, que estar atento não só ao que o marchand ou curador lhe diz, ou o tamanho do currículo parece provar, mas sobretudo à pessoa do artista – ele deve investigá-lo bem.

Todo aquele que se pretende um ‘connaisseur’ deve educar-se e ao seu olhar (e quanto mais cedo começar, melhor). Intuição vale mais do que a razão, na maioria dos casos. Mas esta intuição só vale se instruída pela educação e a convivência com o meio.

Afinal, a arte-autêntica está também presente no mercado de arte (e porque não estaria? Há mercadoria para todas as necessidades e gostos.). Seu canto de sereia, contudo, é mais sutil, complexo, e requer uma atitude contemplativa demorada, perscrutadora. Às vezes pode ser levada para casa, às vezes terá efeito temporário ou volátil, só podendo ser apreciada no local onde se instalou.

O que se quer dizer aqui é que não se pode esperar que o sistema de arte determine o valor absoluto de uma obra, seja ela pintura, instalação, ou um site-specific. O sistema está estruturado sobre padrões estéticos transitórios (circunstanciado pela axiologia do momento), interesses mercadológicos e é em nome destes valores que julga o que é arte ou o que não é. Exigir que o mercado de arte atue de forma puritana e idealista é um absurdo tão grande quanto querer o mesmo do supermercado onde você faz as compras ou mesmo do editorial ou do fonográfico, que, em sua maioria, também vende e consagra enorme quantidade de lixo.

Como um bom livro, ou uma boa música, que recebe maior ou menor aclamação mediante nossa sensibilidade e preparo intelectual, assim também é com a obra de arte. Feliz ou infelizmente, meu caro leitor, cabe exclusivamente a você, consumidor, investidor ou colecionador, visitante ocasional de museus e galerias, exercitar-se o máximo possível a fim de não se sujeitar ingenuamente ao que querem lhe impor.

Neste momento, a escala de valores mais importantes é a sua, e é com base nela que você deve ir atrás do que deseja. Boa sorte.



©® 2006 Paula Mastroberti, artista plástica e escritora
www.mastroberti.art.br